O Grupo Corpo volta a São Paulo, de 12
a 22 de novembro, no Teatro Sérgio Cardoso, com a obra que marcou o
cinquentenário da companhia e o balé de 2004 com a música intensamente
romântica do compositor cubano Ernesto Lecuona
Com
todas as sessões lotadas em agosto, o Grupo
Corpo retorna a São Paulo, em novembro, trazendo o programa que reúne a
coreografia mais recente da companhia, Piracema,
e o aclamado Lecuona. Dessa
vez, o palco é o do teatro Sérgio Cardoso. São nove sessões com os dois balés
que estrearam com 21 anos de distância. Mas os mundos que eles evocam parecem
muito mais distantes – são profundamente diversos.
Piracema, coreografia de
Rodrigo Pederneiras e Cassi Abranches, que abre a noite, comemorou os 50 anos
de atividades do Grupo Corpo em 2025, tem música especialmente criada por
Clarice Assad e, em seus três momentos, sugere uma viagem pela natureza, pelo
mundo urbanizado e por uma distopia que pode – ou não – ser revertida. Sua
ideia central, a árdua jornada dos cardumes rio acima para desovar, cai com
perfeição no cinquentenário do grupo mineiro, metáfora de recomeço constante da
criação, de urgência e determinação.
Já Lecuona, coreografia de Rodrigo
Pederneiras, apresenta onze canções românticas e uma valsa do cubano, criadas
nos anos 1940 e 1950, todas banhadas a paixão e lágrimas. São recortes de um
interlúdio onírico, da paixão e do sofrimento amoroso, banhados na música
sofisticada desse criador de sólida formação na técnica clássica e incrível
talento na seara popular.
Além
disso, Piracema inaugurou a
parceria de Rodrigo com Cassi, que em 2025 se tornou também coreógrafa
residente do grupo; os dois trabalharam paralelamente, criando cada um seu
balé, e reuniram suas concepções dois meses antes da estreia. Um método ousado,
proposto pelo diretor artístico Paulo Pederneiras. Lecuona, por sua vez, representou em 2004 uma
interrupção momentânea das encomendas de trilhas inéditas, adotada desde 1992;
sua estrutura também é sui generis, com uma sequência de pas-de-deux – como as
músicas de um LP – que culmina numa grande valsa, apoteótica, com seis casais.
O Grupo Corpo é apresentado
pela Petrobras e conta com o patrocínio da Vivo e do Itaú Unibanco, através da
Lei Federal de Incentivo à Cultura.
PIRACEMA (2025)
coreografia: Rodrigo
Pederneiras e Cassi Abranches
música: Clarice Assad
cenografia: Paulo Pederneiras
figurino: Susana Bastos e Marcelo Alvarenga
iluminação: Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras
(Duração: 37 min)
Uma
inovação radical no método de trabalho dos dois criadores – Rodrigo e Cassi –
neste Piracema. Um desafio
e tanto, a partir da proposta do diretor artístico Paulo Pederneiras. Com a
companhia dividida em dois grupos de 11 bailarinos, cada um dos coreógrafos criou
e ensaiou independentemente todo o balé. “não vimos nada um do outro, para
depois reunir e combinar as duas versões”, revela Cassi Abranches. “Deu um frio
na barriga, mas topamos a proposta do Paulo e a dança cumpriu seu papel
integrador”. A obra combinada resulta inteira, desafiadora, “uma terceira via”,
define Rodrigo.
O
balétraduz a música de Clarice Assad que, dividida em três grandes
movimentos, traça um arco que se inicia no tribal, no ambiente natural
intocado, passa pela polifonia sinfônica do clássico e termina no eletrônico,
urbano, contemporâneo, com uma orquestra de cordas, o percussionista Keita
Ogawa e participações especiais como a de seu pai, o grande violonista e
compositor Sérgio Assad. “Usei bastante minha voz em harmonias vocais e até
lancei mão, na terceira parte, de ruídos e sons criados por inteligência
artificial”.
O
diretor artístico Paulo Pederneiras, que assina cenário e iluminação (essa, em
parceria com Gabriel Pederneiras, diretor técnico do grupo), foi buscar, para a
cenografia, um material inusitado: são 82.320 tampas de latas de sardinha
cobrindo o fundo (de 16m x 7m) e as pernas (laterais do cenário), montadas
sobre redes. Os figurinos foram criados pelos
irmãos Susana Bastos, artista e estilista, e Marcelo Alvarenga, arquiteto, à
frente do escritório Alva Design. Foi a primeira vez que os dois criaram para
dança e trouxeram uma cartela de cores terrosas, com detalhes em prata e em
cores fortes nas malhas justas de base, e os cortes têm sutis enchimentos nos
quadris e nos ombros; em seguida, as malhas se tingem de azul e, finalmente, de
prata.
LECUONA (2004)
coreografia: Rodrigo
Pederneiras
música: Ernesto
Lecuona
cenografia e
iluminação: Paulo Pederneiras
figurino: Freusa
Zechmeister
(Duração: 35 minutos)
Da
paixão ardente à inconsolável saudade, a música do pianista e compositor
Ernesto Lecuona (1895-1963) marcou época – e Rodrigo Pederneiras rendeu-se
tanto ao derramar de sentimentos quanto à qualidade técnica desse cubano, com
formação clássica e carreira tão diversificada. Em 2004, o Grupo Corpo quebrava
uma recente tradição (a de encomendar trilhas inéditas) e estreava o espetáculo
com uma sequência de canções de Lecuona, dançadas por casais, e uma única
formação de grupo – uma grande valsa – fechando o balé.
Ernesto Lecuona… su piano, orquesta y…
sus intérpretes é o disco que reúne essas doloridas e
apaixonadas canções no balé quese transformou
em um dos preferidos do público.
Os casais que protagonizam cada uma das onze
canções de amor de Ernesto Lecuona têm, cada qual, a sua cor. O cenário de luz,
criado por Paulo Pederneiras, delimita o espaço cênico ao projetar fachos
monocromáticos de tons quentes.
O romance vintage está também nos
figurinos de Freusa Zechmeister, com os rapazes usando sapatos de verniz,
camisas, camisetas ou regatas e calças sociais; as moças trajam vestidos
vaporosos, com fendas e decotes variados e sapatos de salto. O final é um glamoroso
baile em branco com as moças vestidas em tule, secundadas por pares em negro;
nessa última cena, o palco é um cubo de espelhos, projetando as mil imagens e a
nostalgia de um mundo hollywoodiano.
Ernesto Lecuona, chamado de ‘Gershwin cubano’, foi
pianista-prodígio, compositor precoce, escrevia musicais na adolescência e
formou-se no Conservatório cubano aos 17 anos. A via de concertista começou em
seguida e foi aluno de ninguém menos do que Maurice Ravel. Escreveu uma vasta
obra para concerto. Transitando com facilidade entre o erudito e o popular, escreveu
mais de quatrocentas canções, gravadas por artistas como calibre de Elvis
Presley, Bing Crosby e Frank Sinatra, além de trilhas para cinema. Um de seus
maiores sucessos foi a música-tema do filme Always in My Heart (Siempre
em mi Corazón), indicada ao Oscar de Melhor Canção em 1942 e gravada no Brasil
Orlando Silva e Nelson Gonçalves. É título de um disco de Placido Domingo.
Continuou escrevendo para o palco. Viveu em Havana até 1960, quando a mudança
de regime o fez se deslocar para a Espanha e, depois, para as Ilhas Canárias,
onde faleceria em 29 de novembro de 1963.
Piracema e Lecuona
12 a 22 de novembro
[De
quarta a sábado, às 20h; domingo, às 16h]
Teatro
Sérgio Cardoso
R.
Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – Tel: (11)
3882-8080
Ingressos:
Sympla
De
R$25,00 (meia entrada) a R$240,00 (inteira)
Classificação
indicativa: livre
Alexandre Félix - Aleds Comunicação & Cultura 11992204814 [email protected] www.linkedin.com/in/alexandreroxofelix
