Dados recentes divulgados mostram que a Febre do Oropouche tem uma incidência muito maior do que se pensava, com até 200 casos reais para cada caso conhecido da doença.
Entre 1960 e 2025, a doença infectou cerca de 9,4 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe, com pelo menos 5,5 milhões desses casos ocorrendo no Brasil.
A febre do Oropouche é transmitida aos humanos pela picada de mosquitos Culicoides paraensis, conhecidos na Região Norte como maruim ou mosquito-pólvora.
Os dados foram compilados por um consórcio de pesquisadores de diferentes instituições.
[A doença] tem um ciclo silvestre muito bem esclarecido e, mais recentemente, a gente tem observado ciclos urbanos nas capitais, o que era pouco comum até pouco tempo.
Diretor de Operações do Instituto Todos pela Saúde, Vanderson Sampaio
O diretor ressaltou que a maior parte da população ainda não teve contato com a doença, o que pode indicar um potencial aumento na propagação.
Uma análise sorológica realizada em amostras de sangue coletadas em diferentes momentos revelou que o alcance do surto de 2023 para 2024 foi semelhante a um surto anterior em Manaus, chegando a quase 15% no estado.
Surtos
O estudo identificou 32 surtos da doença desde sua descoberta em 1955, atingindo países como Brasil, Peru, Guiana Francesa e Panamá.
A cidade de Manaus desempenha um papel crucial na dispersão da doença, atuando como um ponto de conexão importante na região amazônica.
A diferença entre casos confirmados e casos reais pode ser atribuída ao acesso limitado aos serviços de saúde na região amazônica e à alta proporção de casos assintomáticos ou leves.
Até o momento, não existem vacinas específicas ou antivirais disponíveis para a febre do Oropouche, mas pesquisas estão em andamento para explorar possíveis tratamentos.
Tratamento
Um segundo estudo também destaca a predominância do vírus em áreas rurais e florestais, indicando que estratégias de controle vetorial focadas em mosquitos urbanos podem não ser suficientes para conter a propagação da doença.
Os pesquisadores enfatizam a importância de identificar pessoas que já foram infectadas para prever e prevenir surtos futuros da febre do Oropouche.
