Café solúvel isento de tarifa de 25% dos EUA impulsiona setor capixaba

A inclusão do café solúvel na lista de exceções à tarifa extra de 25% imposta pelos Estados Unidos representa uma grande oportunidade para o setor cafeeiro do Espírito Santo. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (15) e que começará a valer a partir da próxima quarta (22), não se limita apenas à eliminação de um custo adicional. Ela traz de volta a previsibilidade essencial para um segmento industrial que necessita planejar suas compras, produção, logística e contratos com meses de antecedência.

Marcus Magalhães, presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo, ressalta a importância desse desdobramento. Na ausência de uma norma clara, compradores e vendedores enfrentam dificuldades em negociar preços. A incerteza gerada pela tarifa comprometia as transações, tornando os contratos mais longos menos atrativos e dificultando a formação de preços adequados.

A situação do Espírito Santo é favorável nesse novo cenário. As três fábricas localizadas no Estado têm uma capacidade total aproximada de 30 mil toneladas anuais. Entre essas unidades estão as plantas da Realcafé, Cacique e Ofi (anteriormente conhecida como Olam). Um aspecto crucial é que essas fábricas ainda não operam em sua capacidade total, o que permite ao Estado crescer sem a necessidade imediata de construir novas instalações.

Mercado de café solúvel valoriza produtos agregados

No primeiro semestre de 2026, os Estados Unidos se destacaram como os principais compradores do café solúvel brasileiro. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) revelam que o país importou US$ 78,85 milhões (equivalente a R$ 403,7 milhões), representando 13,8% da receita total brasileira com esse produto. Ao todo, as exportações brasileiras de café solúvel somaram US$ 573,18 milhões (aproximadamente R$ 2,9 bilhões) durante o período.

Portanto, o foco não deve ser apenas em manter as vendas já existentes, mas também em atrair novos clientes e aumentar os contratos com maior competitividade nos Estados Unidos. Marcus afirma que a indústria capixaba agora possui mais segurança para desenvolver uma estratégia comercial robusta no maior mercado consumidor de café global. Diferentemente das transações rápidas, o setor industrial precisa estabelecer canais sólidos de distribuição, adaptar seus produtos e cultivar relacionamentos duradouros.

Esse progresso pode transformar a economia cafeeira capixaba. Quanto mais café solúvel for exportado pelo Espírito Santo, maior será a demanda por conilon produzido na região Norte do Estado. A indústria adquire matéria-prima, incorpora tecnologia aos processos produtivos, transforma o grão e oferece um produto final com maior valor agregado. Dessa maneira, os benefícios não se restringem às fábricas; eles alcançam também produtores rurais, cooperativas agrícolas, transportadoras e profissionais envolvidos na cadeia produtiva.

Outro ponto destacado por Marcus é que fábricas mais ativas tendem a realizar compras com frequência maior e em maiores quantidades. Isso aumenta a liquidez no mercado interno e diminui a dependência dos produtores em relação às janelas limitadas de comercialização, fortalecendo toda a cadeia produtiva. Nesse contexto, a exportação de café solúvel atua como um elo entre os agricultores capixabas e os consumidores internacionais.

Perspectivas na Europa e Ásia

Além dos Estados Unidos, o mercado europeu também apresenta promissoras oportunidades. O acordo entre Mercosul e União Europeia prevê uma redução progressiva das tarifas sobre o café solúvel até que cheguem a zero em quatro anos. Esse cronograma está alinhado com as necessidades da indústria local, permitindo que as empresas desenvolvam clientes, organizem suas distribuições e adaptem embalagens enquanto consolidam suas marcas em novos mercados.

A Ásia também se destaca como um espaço promissor para o aumento no consumo do café brasileiro. Países como China e Indonésia, bem como regiões do Oriente Médio e Extremo Oriente estão ampliando seu apetite por café. Assim sendo, o Espírito Santo entra em uma fase onde pode expandir suas vendas tanto para mercados já estabelecidos quanto explorar novas frentes comerciais.

No entanto, essa oportunidade não se transformará automaticamente em aumento da produção ou geração de empregos. Para isso acontecer será necessário implementar estratégias eficazes de promoção comercial, garantir acesso ao crédito adequado e aprimorar a logística enquanto se busca uma integração efetiva entre indústrias e produtores locais. Com a barreira tarifária removida, agora é hora de converter essa previsibilidade em resultados concretos para o mercado.

By Aconteceu SP

Confira!