Em 2027, a ArcelorMittal poderá dar início à construção de um laminador de tiras a frio no Espírito Santo. Com um investimento projetado em R$ 4 bilhões, essa iniciativa se tornará o maior aporte privado já realizado na história do estado. A empresa informou que o estudo de viabilidade ainda está em andamento, com previsão de conclusão para este ano.
Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Planos América Latina, declarou: “Não interrompemos o estudo em momento algum. Estamos finalizando essa fase nos próximos meses e levaremos a proposta ao nosso conselho até o final do ano”.
A decisão sobre o investimento será influenciada pelas condições do mercado e pela aprovação interna do grupo. No entanto, há indicações positivas para o projeto. “A validação pode ocorrer ainda este ano. A construção pode ter início no começo do próximo ano”, acrescentou o executivo.
O desenvolvimento deste projeto ocorre em meio a resultados financeiros pressionados, embora haja justificativas e um futuro promissor à vista. Em 2025, a ArcelorMittal reportou uma perda de R$ 2,2 bilhões, mesmo mantendo sua posição de liderança no Brasil, com 42% da produção nacional de aço bruto. Esse resultado foi anunciado na tarde desta quinta-feira (30).
Efeitos das importações
A companhia explicou que seu desempenho foi afetado por fatores externos, como o aumento das importações e tarifas internacionais. Além disso, houve um impacto contábil significativo no balanço financeiro. Isso se deve ao reconhecimento total de um acordo relacionado à compra da Votorantim Siderurgia no resultado de 2025. Apesar do pagamento ser parcelado, as normas contábeis requerem que o impacto financeiro seja registrado integralmente em um único exercício, resultando em um efeito negativo pontual de R$ 2,9 bilhões que distorceu os números finais do ano.
“Se descontarmos esse valor dos R$ 2,2 bilhões, teríamos um resultado positivo. O negócio realmente teve uma performance favorável no ano passado”, afirmou Jorge Oliveira.
No total, a produção de aço alcançou 15,14 milhões de toneladas, representando uma queda de 1,3% em comparação ao período anterior. A receita líquida caiu 7,2%, somando R$ 61,76 bilhões, enquanto o EBITDA registrou uma diminuição de 12%, totalizando R$ 8,08 bilhões.
Influência externa e importações
O desempenho da empresa foi especialmente afetado pelo crescimento das importações de aço. Em 2025, as importações aumentaram em 20,5%, chegando a 5,7 milhões de toneladas e representando uma taxa de penetração de 21% no mercado brasileiro.
Segundo o presidente Jorge Oliveira, o aumento na oferta externa pressionou tanto os preços quanto as margens de lucro. “Com a alta quantidade de importação disponível no mercado, os preços foram reduzidos e a rentabilidade sofreu”, comentou.
Além disso, as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o aço brasileiro mudaram a dinâmica competitiva global. Para se manter competitiva no cenário atual, a empresa teve que absorver parte desses custos adicionais, impactando especialmente seus resultados na área de aços planos.
A conjuntura global também contribuiu para um ambiente desfavorável devido a tensões geopolíticas e excesso de capacidade produtiva aliadas ao crescimento econômico mais moderado observado no Brasil.
Perspectivas para recuperação e investimentos
Apesar das dificuldades enfrentadas atualmente, a ArcelorMittal mantém seu plano de investimentos que soma R$ 25 bilhões no Brasil entre os anos de 2022 e 2026; esse investimento é direcionado para modernização e expansão nas áreas de energia renovável.
A empresa também está atenta aos impactos das medidas de defesa comercial implementadas pelo governo federal. Há expectativas para uma diminuição gradual das importações ao longo do ano. “Acreditamos que a partir do terceiro trimestre haverá uma inversão dessa tendência”, disse Jorge Oliveira.
A combinação entre uma melhora nas condições do mercado e os avanços nos investimentos – como o laminador previsto para Espírito Santo – é vista como crucial para a recuperação do setor e para o restabelecimento do crescimento da companhia no país.
