Saúde mental no ambiente profissional: um novo desafio para líderes e gestores

Artigo de Fernanda Anchieta, mestre em Administração, especialista em desenvolvimento organizacional, fundadora da F2 Consultoria Organizacional e docente nos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Processos Gerenciais da FAESA

As práticas eficazes de gestão focadas no mapeamento dos riscos psicossociais e na conformidade com a NR-1 passaram de uma mera tendência para se tornarem uma necessidade estratégica nas empresas.

No atual cenário, observa-se um aumento significativo nos afastamentos relacionados a transtornos mentais e comportamentais, que já são considerados uma das principais causas para a concessão de benefícios pelo INSS, representando cerca de 30% dos afastamentos previdenciários no Brasil.

A pesquisa do IBGE também destaca a gravidade desse problema: cerca de 10% da população brasileira afirma ter sido diagnosticada com depressão, além de um aumento alarmante nos casos de ansiedade, especialmente após o período da pandemia.

Os diagnósticos identificados nas classificações do CID-10 (F00–F99) e CID-11 revelam um quadro de adoecimento que deve ser encarado não apenas como um problema individual, mas como um reflexo direto das condições e relações laborais.

Neste contexto, o papel das lideranças se torna fundamental. Além de gerenciar metas e resultados, os líderes devem desenvolver habilidades socioemocionais e atuar como promotores de ambientes psicologicamente seguros. Isso envolve uma liderança que valoriza a escuta ativa, empatia, respeito e inclusão.

Liderar pelo exemplo é crucial. É importante criar um ambiente onde os funcionários se sintam à vontade para se expressar sem receios, fomentar uma comunicação aberta e respeitosa, além de apoiar as equipes na busca por resultados com foco em processos ao invés de apenas pressão por desempenho. Ademais, é vital evitar o isolamento dos colaboradores que retornam após afastamentos, respeitar sua privacidade emocional e agir com ética e sensibilidade nas decisões que afetam as pessoas.

Empresas que adotam essas práticas contribuem para a segurança psicológica, promovendo ambientes mais colaborativos e sustentáveis, além de elevar os níveis de engajamento e diligência. Investir na saúde mental no ambiente de trabalho não é apenas uma exigência normativa; é uma estratégia crucial para garantir a sustentabilidade humana e organizacional em um cenário cada vez mais desafiador e competitivo.

By Aconteceu SP

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