Recentemente, houve um progresso notável nos tratamentos para diversos tipos de neoplasias malignas, o que tem contribuído para o aumento da expectativa de vida e, em muitos casos, até mesmo a cura dos pacientes. Em 8 de abril, data que commemorou o Dia Mundial de Combate ao Câncer, o oncologista do Hospital Santa Rita, Glaucio Bertollo, comentou sobre os avanços mais significativos na área médica.
Segundo o especialista, no caso do câncer primário do fígado, a introdução da imunoterapia para pacientes em estágios avançados foi uma mudança crucial na última década. Ele observa: “Hoje, a perspectiva de vida mudou e temos pacientes obtendo respostas excelentes e vivendo por muitos anos.”
Glaucio Bertollo, que também é responsável pelo Centro de Pesquisa Clínica do Hospital Santa Rita, enfatiza que o fígado é uma região comum para metástases, principalmente originárias de tumores intestinais. “Para aqueles que enfrentam a metástase hepática, passamos a utilizar terapias locais como a radioablação. Essa técnica permite destruir as metástases e, em certas situações, até alcançar a cura, desde que a doença sistêmica esteja bem controlada,” destaca.
Radiointervenção
O médico acrescenta que nos últimos dez anos as técnicas de radiointervenção, que envolvem procedimentos minimamente invasivos guiados por imagens como tomografia e ultrassom para diagnóstico e tratamento, evoluíram consideravelmente. Esses métodos ajudam a evitar cirurgias abertas, resultando em menor tempo de internação e recuperação mais rápida com menos complicações.
No âmbito do trato gastrointestinal, os avanços proporcionados pela imunoterapia são igualmente relevantes. Pesquisas recentes demonstram benefícios no tratamento do câncer de esôfago, estômago e intestino, especialmente em pacientes com instabilidade de microssatélites, onde essa abordagem pode ser curativa mesmo em estágios avançados.
Para entender
A instabilidade de microssatélites refere-se a uma alteração genética nas células cancerígenas caracterizada por erros nas pequenas sequências repetidas do DNA. Este fenômeno ocorre quando o sistema de reparo celular falha, resultando em um aumento no número de mutações.
A imunoterapia também mostra resultados positivos em pacientes sem essa alteração genética, beneficiando tanto casos metastáticos — principalmente de estômago e esôfago — quanto tumores localmente avançados. “Em relação aos tumores localmente avançados, estamos associando a imunoterapia à quimioterapia para aumentar as chances de sucesso cirúrgico,” explica.
No tratamento do câncer intestinal, a imunoterapia se firmou como uma alternativa eficaz para aqueles com instabilidade de microssatélites. “Ela pode levar à cura até mesmo em casos metastáticos desses pacientes,” afirma.
Dentre as inovações nas terapias-alvo, o uso do trastuzumab deruxtecana tem se destacado no tratamento dos tumores gástricos e intestinais com superexpressão da proteína HER2, apresentando resultados promissores ainda em casos metastáticos. “Esse foi um avanço recente no âmbito das terapias-alvo voltadas para os tumores gastrointestinais,” comenta o especialista.
Glaucio Bertollo ressalta que a imunoterapia alterou significativamente o tratamento dos pacientes com tumores gastrointestinais e instabilidade de microssatélites. “Temos observado respostas completas em casos localmente avançados e até curas em pacientes com doença metastática. Isso é um dos pontos mais notáveis na oncologia nos últimos anos,” enfatiza.
Importância da Pesquisa Clínica
Bertollo também destaca a relevância da pesquisa clínica. “No Hospital Santa Rita, estamos realizando um estudo sobre a aplicação da imunoterapia antes e depois da cirurgia em pacientes com câncer colorretal ao invés da quimioterapia convencional. Um grupo recebe quimioterapia padrão enquanto outro utiliza imunoterapia antes e após a cirurgia sem quimioterapia. Existe uma grande expectativa sobre as mudanças significativas que esse estudo pode trazer; entretanto, os resultados ainda não foram divulgados.”
A pesquisa abrange outras áreas como novas medicações para tumores estromais gastrointestinais (GIST), um tipo raro de sarcoma do trato digestivo. “Estamos testando uma nova medicação promissora no Hospital Santa Rita. Atualmente tratamos esses pacientes com imatinibe, que já apresenta resultados satisfatórios,” diz ele.
A combinação da imunoterapia com outras estratégias também está sendo investigada no câncer hepático para aumentar as chances de cura. Além disso, novas terapias-alvo anti-HER2 estão emergindo como alternativas promissoras no câncer gástrico e nos tumores das vias biliares. “No caso do câncer de estômago, novas abordagens terapêuticas anti-HER2 podem ter um impacto significativo na doença avançada. Para os tumores das vias biliares também há estudos promissores nesse sentido,” informa Glaucio Bertollo.
Prevenção
Nesse contexto positivo dos avanços médicos, o oncologista reforça que prevenir ainda é o melhor caminho. “Sabemos que manter hábitos saudáveis como atividade física regular e uma dieta equilibrada — evitando obesidade e esteatose hepática — é essencial na prevenção contra tumorizações hepáticas e gastrointestinais,” alerta.
Futuro
Bertollo menciona que os avanços na medicina continuam com foco no diagnóstico precoce através de novos métodos de imagem e investigações envolvendo células tumorais circulantes, conhecidas como biópsias líquidas. “Embora isso ainda não esteja disponível na prática clínica diária, a detecção de DNA tumoral circulante pode se tornar uma ferramenta valiosa para diagnósticos precoces futuramente,” acredita ele.
No Dia Mundial de Combate ao Câncer é vital transmitir uma mensagem encorajadora: os progressos médicos estão possibilitando diagnósticos cada vez mais precoces e tratamentos mais eficazes, resultando em um aumento significativo nas chances de cura e qualidade de vida dos pacientes. Hoje sabemos que prevenção, monitoramento contínuo e acesso à informação são fundamentais nesse processo. O câncer deixou de ser sinônimo de sentença definitiva; com cuidado adequado, ciência robusta e suporte emocional é possível enfrentar essa doença com confiança e obter resultados cada vez melhores,” conclui Glaucio Bertollo.
