No dia 9 de novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou a Lei n° 15.379/2026, que assegura a disponibilização da imunoterapia para indivíduos diagnosticados com câncer através do Sistema Único de Saúde (SUS). Este novo regulamento determina que o tratamento será oferecido sempre que demonstrar eficácia superior ou maior segurança em comparação aos métodos convencionais, como quimioterapia e radioterapia.
A relevância da medida: a imunoterapia apresenta menor toxicidade, preservando as células saudáveis e, em alguns casos, pode proporcionar respostas mais duradouras no combate a diferentes tipos de câncer.
Especialistas apontam que a introdução da imunoterapia no SUS representa um avanço significativo nas opções de tratamento, ampliando as alternativas disponíveis para os pacientes oncológicos.
O que envolve a imunoterapia?
A imunoterapia atua estimulando o sistema imunológico do corpo para identificar e eliminar células cancerígenas, existindo uma variedade de tipos dessa terapia.
Conforme explica o hematologista Douglas Covre Stocco, a nova modalidade de imunoterapia disponível no SUS é utilizada tanto em tumores hematológicos, como o linfoma de Hodgkin e o linfoma primário do mediastino, quanto em tumores sólidos.
Um dos mecanismos que leva ao desenvolvimento do câncer é o bloqueio do PD-1 — um processo que protege nossas células. Essa forma de imunoterapia torna o PD-1 sensível novamente, permitindo que as células de defesa reconheçam e lutem contra as cancerosas.
Douglas Covre Stocco, hematologista
Imunoterapia é menos tóxica?
A oncologista Juliana Alvarenga esclarece que a imunoterapia, em geral, tende a apresentar menos toxicidade quando comparada à quimioterapia tradicional, uma vez que não ataca diretamente as células do organismo.
“Ela ativa o sistema imunológico do paciente para reconhecer e combater o tumor.”
Imunoterapia não provoca queda de cabelo?
<p.Por não afetar as células diretamente como acontece na quimioterapia, os pacientes submetidos à imunoterapia frequentemente não enfrentam problemas como queda de cabelo ou fraqueza.
No caso da quimioterapia, os medicamentos atuam sobre células que se multiplicam rapidamente. Isso inclui não apenas as cancerosas mas também células saudáveis como as dos cabelos, pele e trato gastrointestinal. Por essa razão, efeitos colaterais como queda de cabelo, náuseas e fraqueza são bastante frequentes.
Juliana Alvarenga, oncologista
Existem efeitos colaterais?
Ainda que a imunoterapia cause menos efeitos adversos em comparação a outras terapias, Douglas Covre Stocco adverte que ela não está livre de complicações.
“Na verdade, ela não provoca queda de cabelo ou tem tantos episódios de enjoo e diarreia; porém, por atuar sobre o sistema imunológico, um dos efeitos mais preocupantes dessa terapia é o surgimento de doenças autoimunes em diferentes órgãos”, esclarece o especialista.
Ele acrescenta que em situações raras isso pode evoluir para uma encefalite autoimune. “Assim sendo, os efeitos colaterais são geralmente distintos mas ainda estão presentes.”
A imunoterapia oferece respostas mais duradouras
A imunoterapia também pode resultar em respostas terapêuticas mais prolongadas. “Em alguns pacientes, o sistema imunológico ‘aprende’ a combater o tumor e mantém esse controle por um período maior mesmo após o término do tratamento”, observa Juliana.
Outra mudança significativa é a capacidade de controlar doenças avançadas. “Em certos tipos de câncer metastáticos, a imunoterapia tem contribuído para aumentar a sobrevida e até mesmo gerado respostas prolongadas com potencial cura”, conclui a especialista.
