Novo medicamento contra obesidade, testado no Espírito Santo, pode ser lançado em 2027

Um novo medicamento oral destinado ao tratamento da obesidade, denominado orforglipron (comercializado como Foundayo), pode em breve ser disponibilizado no Brasil. A aprovação desse fármaco pela Food and Drug Administration, órgão regulador dos Estados Unidos, ocorreu no início de abril, e a solicitação de autorização já foi encaminhada à Anvisa, conforme informações da Eli Lilly, empresa responsável pelo produto.

Por que isso é relevante: A pesquisa clínica revelou que o uso contínuo do comprimido pode resultar em uma redução de peso corporal entre 12% e 15%. Sendo um medicamento em forma de pílula, sua aceitação tende a ser maior entre os pacientes.

Como o orforglipron atua?

  • Conforme explica Queulla Garrett, pesquisadora no centro de pesquisa CEDOES do Espírito Santo, que representa o Brasil nos estudos globais sobre o orforglipron, o medicamento tem ação semelhante ao hormônio GLP-1, que é produzido naturalmente pelo organismo.

A eficácia do fármaco é multifacetada: ele age no cérebro para aumentar a sensação de saciedade; retarda a digestão no estômago; e também influencia órgãos como fígado e pâncreas, ajudando a regular o metabolismo.

Queulla Garrett, pesquisadora do centro de pesquisa capixaba CEDOES

  • A principal inovação do orforglipron reside na sua administração: diferentemente dos tratamentos atuais baseados em GLP-1, como o Mounjaro, que são aplicados por meio de injeções, este novo medicamento é ingerido via comprimidos.
  • Este fármaco deve ser tomado diariamente e pode ser consumido a qualquer hora, sem necessidade de jejum ou restrições quanto às refeições.

Testes no Espírito Santo

  • Voluntários da região participaram das fases que analisaram tanto a segurança quanto a eficácia do novo medicamento no Cedoes.
  • Segundo Queulla Garrett, os ensaios clínicos seguem protocolos rigorosos adaptados aos objetivos da pesquisa. “Os voluntários são constantemente monitorados por meio de exames regulares e consultas para detectar possíveis efeitos colaterais.”
  • Um novo estudo envolvendo o orforglipron deve começar em maio no Espírito Santo, focando na avaliação dos efeitos cardiovasculares.

Perspectivas para chegada ao Brasil

  • Ainda que tenha recebido aprovação nos Estados Unidos, a liberação para uso no Brasil depende da análise da Anvisa.
  • A expectativa é que essa avaliação seja concluída até 2027, após uma análise minuciosa dos dados clínicos disponíveis.
  • “O cenário brasileiro tem se destacado na pesquisa clínica global devido à qualidade dos centros e à habilidade em conduzir estudos complexos. Isso também favorece o acesso a novos medicamentos,” acrescenta Queulla Garrett.

Quem pode utilizar este tratamento?

  • A recente aprovação nos EUA é voltada para adultos com obesidade ou sobrepeso relacionado a outras condições como hipertensão, dislipidemia ou apneia do sono.
  • O orforglipron também está sendo investigado para possíveis aplicações em outras condições médicas, incluindo diabetes tipo 2.

Indicações e possíveis efeitos colaterais

  • A medicação não deve substituir mudanças necessárias no estilo de vida, como dieta equilibrada e prática regular de atividades físicas.
  • Efeitos colaterais comuns incluem: náuseas, diarreia, constipação e desconforto abdominal.
By Aconteceu SP

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