Sedentarismo no ambiente corporativo: um perigo calculável e um gasto evitável

*Artigo elaborado por Hugo Schneider Côgo, advogado com especialização em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários e Vice-presidente do IBEF Academy.

O Dia Mundial da Atividade Física foi comemorado em 6 de abril, e em homenagem a essa data significativa, o Estado do Espírito Santo promulgou a Lei nº 12.822. Essa legislação estabelece o mês de abril como um período dedicado ao Combate ao Sedentarismo, promovendo iniciativas para estimular a prática de exercícios físicos.

Com a nova lei, o assunto ganha maior visibilidade, visto que o sedentarismo deixou de ser apenas uma questão de escolha pessoal e se transformou em um desafio estrutural para a sociedade brasileira. Os efeitos da inatividade física na saúde já estão refletindo nas condições dos ambientes laborais, tornando imprescindível que as empresas tratem o combate ao sedentarismo como uma prioridade.

Estudos científicos demonstram de forma contundente os impactos negativos do sedentarismo sobre a saúde. Dados do Boletim do Dia Mundial da Atividade Física 2026, oriundos do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), que acompanha 15 mil adultos em seis estados há mais de 15 anos, revelam que indivíduos que se exercitam têm menor probabilidade de desenvolver doenças como diabetes e hipertensão, além de apresentarem melhor desempenho em áreas centrais da cognição (como memória e atenção), redução no risco de declínio cognitivo, menos dores de cabeça frequentes e menor taxa de mortalidade[1].

Uma análise comparativa entre sedentários e ativos ao longo de cinco anos mostrou que realizar 150 minutos de atividade física moderada a intensa por semana resulta em uma diminuição da mortalidade em 25%. Além disso, caminhar cerca de 7.000 passos diariamente pode reduzir este índice pela metade; substituir apenas 10 minutos de comportamentos sedentários por atividades físicas moderadas ou intensas pode levar a uma redução adicional de 10% na mortalidade. Esses dados indicam que não é necessário dedicar muito tempo diariamente para reduzir significativamente os riscos à saúde e aumentar o bem-estar.

Diante desse panorama, é evidente que doenças que geram afastamentos laborais, comprometem a produtividade e elevam os custos assistenciais poderiam ser prevenidas ou controladas através da prática regular de atividades físicas. Assim, não surpreende que o sedentarismo tenha consequências diretas no ambiente corporativo.

Segundo informações do Ministério da Previdência Social, em 2025 foram concedidos 4.126.110 benefícios por incapacidade temporária no Brasil, resultando em um aumento de 15,19% em relação ao ano anterior. As principais causas desses afastamentos incluem dores nas costas (1º lugar com 237.113 casos), transtornos nos discos intervertebrais (2º lugar com 208.727 casos), transtornos ansiosos (4º lugar com 166.489 casos), lesões nos ombros (5º lugar com 135.093 casos) e episódios depressivos (6º lugar com 126.608 casos)[2].

Esses números evidenciam como questões relacionadas à saúde física e mental, frequentemente evitáveis através da adoção de rotinas mais ativas, afetam diretamente os resultados das empresas.

Por outro lado, é encorajador saber que a prevenção está ao alcance das empresas. O estudo ELSA-Brasil demonstrou que até mesmo níveis baixos de atividade física podem proporcionar benefícios significativos.

Ambientes que promovem pausas ativas, incentivam caminhadas internas, o uso das escadas e ações simples para fomentar esportes e movimentos contribuem para minimizar riscos à saúde e elevar a qualidade de vida dos trabalhadores. Não é necessário transformar cada colaborador em atleta; o foco deve ser na promoção da autocuidado voltada à saúde.

Portanto, considerar o combate à inatividade física como uma prioridade nas corporações não se trata apenas de uma tendência ou discurso motivacional; é uma decisão fundamentada em evidências concretas. Para as empresas que buscam reduzir afastamentos, proteger seus colaboradores e manter a produtividade, adotar políticas eficazes contra o sedentarismo é imprescindível. Isso não acontece por mera benevolência, mas sim como parte integrante da estratégia empresarial: cuidar das pessoas é também garantir bons resultados.


[1] Boletim do Dia Mundial da Atividade Física 2026:

https://drive.google.com/file/d/1jpbS3uWmEkVb5GuDQ5T04Mw-2H-PuV60/view. Acesso em: 10.05.2026.

[2] https://www.gov.br/previdencia/pt-br/noticias/2026/janeiro/previdencia-social-protege-segurados-ao-conceder-4-1-milhoes-de-beneficios-por-incapacidade-temporaria-em-2025.

Consulta em: 10.05.2026.

Este texto reflete a perspectiva do autor e não necessariamente representa a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo ou qualquer entidade à qual esteja profissionalmente associado.

By Aconteceu SP

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