Geração Z: jovens no mercado de trabalho enfrentam alta informalidade e mudam de emprego em menos de um ano

A participação dos jovens brasileiros no mercado de trabalho e nos empregos formalizados tem aumentado, mas o principal desafio agora não é apenas a criação de novas vagas, mas sim a retenção desses jovens em atividades educacionais e profissionais. Essa análise foi realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

No Brasil, existem 32,9 milhões de indivíduos com idades entre 14 e 24 anos, representando 15,4% da população total. A maioria deles pertence à chamada geração Z, composta por pessoas nascidas entre 1997 e 2012.

Dentre esses jovens, 13,9 milhões estão inseridos no mercado de trabalho — sendo 12,5 milhões na faixa etária de 18 a 24 anos e 1,4 milhão entre 14 e 17 anos. Ao mesmo tempo, observa-se que 6,2 milhões (18,7%) se encontram fora da escola e sem emprego. Este grupo apresenta um aumento de 12,7% no primeiro trimestre em comparação aos últimos três meses de 2025, sendo considerado o segmento com maior vulnerabilidade social.

A análise revela que a maioria dos jovens está focada exclusivamente nos estudos. Aproximadamente 12,8 milhões (39%) se dedicam apenas à educação, enquanto 9,6 milhões (29,1%) estão apenas empregados e outros 4,3 milhões (13,2%) conciliam trabalho e estudo.

Aumento na escolaridade dos jovens

<pNo total, são cerca de 17 milhões (52%) os jovens ainda frequentando instituições de ensino. O estudo também aponta uma tendência crescente em relação à escolaridade: aproximadamente 73% possuem ao menos o ensino médio, com 2,3 milhões matriculados no ensino superior e cerca de 944 mil já graduados.

A inserção dos jovens no mercado de trabalho melhorou consideravelmente; no entanto, ainda é desafiadora para aqueles que estão ingressando. A taxa de desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos atingiu 13,8% no primeiro trimestre de 2026 — mais do que o dobro da média nacional de 5,8% — enquanto entre os adolescentes de 14 a 17 anos essa taxa sobe para alarmantes 25,1%.

Em termos absolutos, são aproximadamente 2,7 milhões os jovens na faixa etária de 18 a 24 anos desempregados e cerca de 586 mil adolescentes nessa mesma condição. Apesar disso, o número total de jovens empregados ultrapassou os níveis registrados antes da pandemia: atualmente há um acréscimo de cerca de 569 mil comparado ao primeiro trimestre de 2019.

Crescimento nos vínculos formais

A qualidade das relações laborais vem se aprimorando com a formalização: atualmente, cerca de 57,8% dos jovens empregados possuem vínculos formais. Segundo a RAIS de 2025, há um total de aproximadamente oito milhões estabelecendo esse tipo de vínculo entre as idades de 14 a 24 anos. Embora a informalidade tenha diminuído um pouco, ela ainda é alta entre os adolescentes ocupados (72,8%), especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país.

O estudo destaca que a dificuldade em manter os empregos é uma barreira significativa. Mais da metade (52%) dos adolescentes empregados permanece em seus postos por menos de um ano; dentre eles, cerca de 12% ficam menos de um mês. No grupo etário mais maduro (18 a 24 anos), o percentual daqueles que não permanecem no emprego por mais de um ano chega a ser de 38,2%, contrastando com os dados da faixa etária entre os25 e29 anos que apresentaram apenas25.3%

A alta rotatividade ocorre devido ao perfil das ocupações disponíveis que muitas vezes são pouco qualificadas. Aproximadamente11.6milhões(84%)dosjovensestãoemfunçõesgeneralistasque-nãoexigemformaçãoespecífica.Alémdisso,cerca-de7.8milhõesrecebematé1.5saláriominimo,sendo2.7milhõescomrendimentodeatémumsaláriominimo.

As oportunidades concentram-se principalmente nas áreas do comércio e serviços; destacam-se funções como balconistas/vendedores (1.24 milhão) e escriturários gerais (1.07 milhão).

Conexões entre escola e trabalho

As opções formais que conectam educação ao mercado profissional — como estágios e programas de aprendizagem — apresentam limitações significativas. Em março deste ano havia cerca de708milaprendizesnoBrasil(471milentre14e17anos,e244milentre18e24anos),com53%dessesjovenssendo meninas.Esomente4.303dessesaprendizeserampessoascomdeficiência.

A maior parte das oportunidades para aprendizes está concentrada nas regiões Sudeste (341 mil) e Sul (145 mil), sendo São Paulo responsável por uma parcela significativa desse total com196milaprendizes.Nosprogramasregulamentados,persistemdesigualdadesraciaisnasremunerações.AprendizeshomensbrancosrecebememmédiaR$991,enquantoosapardosganhamR$911eosindígenasR$886.Negrosrecebemsalário médio inferiordeR$931.

No que diz respeito aos estágios realizados até abril deste ano foram contabilizados aproximadamente1.77milhãodeestagiários,a maior parte deles em programas não obrigatórios(86%),masapresentandomuitasvezesfragilidadesnoregistro:35%dessescasos(628mil)nãoinformaramsuasocupações.

By Aconteceu SP

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