Superávit de R$ 4,8 bilhões no governo federal é ofuscado por déficit que pode comprometer meta fiscal de 2027

Em setembro, o governo federal contabilizou um superávit nas contas públicas de R$ 4,8 bilhões. Contudo, esse resultado positivo oculta uma realidade alarmante. Entre janeiro e setembro de 2026, os gastos do governo superaram a arrecadação em R$ 90,2 bilhões, desconsiderando os juros da dívida pública.

As informações foram apresentadas nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional, intensificando as preocupações sobre a viabilidade das metas fiscais para este ano e para 2027.

O superávit obtido em setembro foi impulsionado por receitas extraordinárias que não se repetem mensalmente. Dentre essas receitas estão os tributos sobre exportações de petróleo e a devolução de R$ 12,8 bilhões referentes a dívidas judiciais que foram canceladas. Além disso, o adiamento de algumas despesas contribuiu para melhorar o resultado financeiro. Sem esses fatores, as contas do governo teriam encerrado setembro em déficit.

Possível comprometimento da meta para 2027

A meta estabelecida pelo governo para 2027 é de economizar R$ 73,2 bilhões, correspondente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), que representa o total de riquezas geradas no Brasil. A proposta orçamentária prevê um saldo positivo de R$ 83,4 bilhões após as deduções permitidas pela legislação vigente.

No entanto, sem considerar esses descontos, a estimativa cai drasticamente para R$ 18,6 bilhões. O desafio se agrava porque cerca de 92% das despesas federais são obrigatórias, como salários e aposentadorias, restringindo assim as opções para cortes nos gastos.

De acordo com a análise do economista Felipe Salto, há uma possibilidade real de que o governo encerre 2027 com um déficit de R$ 63,4 bilhões ao invés do superávit previsto. Para alcançar até mesmo o limite mínimo estipulado pela meta fiscal, será necessário um esforço adicional de R$ 39,3 bilhões. Essa discrepância evidencia o tamanho do desafio que se apresenta ao governo.

O aumento contínuo das despesas pode superar a capacidade de arrecadação nacional. Com menos recursos disponíveis, o governo poderá enfrentar sérias dificuldades para investir em infraestrutura e garantir a manutenção dos serviços públicos.

Além disso, a elevação da dívida resulta em custos maiores com juros. Especialistas alertam que o próximo governo Lula precisará adotar medidas eficazes para conter as despesas e equilibrar as contas sem comprometer os programas sociais e o crescimento econômico.

By Aconteceu SP

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