*Texto de Bryan Ferreira Rocha dos Santos, engenheiro de Gestão de Ativos na Concremat e membro da IBEF Academy.
Em “As Seis Lições”, Ludwig von Mises destaca a relevância do capital para o progresso econômico. Sua análise parte da convicção de que as nações em desenvolvimento não enfrentam a pobreza devido à falta de trabalho, mas sim pela carência de capital.
Do ponto de vista do volume e da relevância no cenário internacional, o Brasil não enfrenta essa limitação. Contudo, uma questão persiste: por que, apesar de atrair capital, o país falha em transformá-lo em um crescimento duradouro?
A falta de capital disponível em um país geralmente resulta em baixa produtividade, salários reduzidos e um desenvolvimento tecnológico inferior.
Nesse cenário, o investimento estrangeiro se apresenta como uma solução crucial para preencher essa lacuna.
Informações do Banco Central, acessíveis através da plataforma InvestVis, revelam que nas últimas décadas o Brasil se manteve consistentemente entre os dez principais destinos para investimento estrangeiro direto globalmente.
Na classificação geral, o Brasil ocupa a sexta posição entre os maiores receptores do mundo, superando economias centrais como a Alemanha, o Canadá e a Bélgica.
No entanto, ao comparar os indicadores econômicos e sociais do Brasil com os destes países, nota-se um desempenho bem abaixo do esperado.
No campo econômico, a constante mudança nas regras gera um ambiente repleto de incertezas. Alterações frequentes nas normas fiscais, tributárias e regulatórias diminuem a previsibilidade dos retornos e aumentam a percepção de risco entre investidores.
Essa elevação na incerteza não é apenas um incômodo teórico — suas consequências impactam diretamente a alocação de capital. Quanto maior for o risco associado ao ambiente institucional e jurídico, maior será a taxa de retorno exigida pelos investidores para mitigar essa incerteza.
Como resultado, projetos que demandam longos prazos e maior investimento tornam-se menos atraentes ou até inviáveis.
Dessa forma, estabelece-se um ciclo evidente: a instabilidade institucional aumenta a taxa exigida pelos investidores, reduzindo assim os investimentos produtivos de longo prazo e favorecendo a entrada de capitais com perfil mais defensivo, focados em retornos rápidos e menos suscetíveis às alterações regulatórias.
Para os investidores internacionais, o principal impedimento para alocar recursos fora de seu país é não apenas o risco econômico habitual em qualquer mercado, mas especialmente os riscos institucionais e jurídicos envolvidos.
Decisões unilaterais, mudanças constantes nas diretrizes fiscais e um sistema tributário complexo podem abalar a confiança no ambiente empresarial. Isso resulta em capital que entra no país sem se traduzir em um aumento sustentável da produtividade.
<pMises argumenta que o capital prospera em ambientes onde os preços são livres, o lucro não é demonizado e há espaço para que empreendedores possam errar, aprender e ter sucesso.
Tais fatores são essenciais para facilitar investimentos duradouros e garantir ganhos consistentes na produtividade.
Assim sendo, a questão central reside não na escassez de capital, mas sim nas dificuldades enfrentadas para convertê-lo em crescimento contínuo e melhorias reais no bem-estar da população.
Na ausência de um ambiente institucional estável e favorável ao investimento produtivo, embora o capital continue chegando ao Brasil, sua permanência ou conversão em prosperidade sustentável será difícil.
A opinião expressa neste texto é do autor e não reflete necessariamente a posição do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.
