A contradição da eficiência na era das tecnologias digitais

*Artigo elaborado por Hugo Schneider Côgo, advogado com especialização em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários e Vice-presidente do IBEF Academy.

Em outubro de 2025, uma análise publicada pela Forbes destacou um problema crescente nas empresas: a fadiga provocada pelo uso excessivo de ferramentas digitais.

A expectativa era que a incorporação de novas tecnologias nas atividades diárias resultasse em um incremento na produtividade. No entanto, os dados revelaram um cenário oposto, onde a proliferação de plataformas acabou fragmentando os processos de trabalho e diminuindo o controle que os profissionais têm sobre seu tempo.

Esse é um paradoxo em que inovações tecnológicas, pensadas para otimizar o trabalho, acabam prejudicando a concentração dos colaboradores e afetando sua saúde mental.

A pesquisa mencionada no artigo envolveu 1.000 trabalhadores americanos distribuídos em 11 setores econômicos que dependem fortemente do uso de ferramentas digitais.

Os resultados mostraram que 79% dos participantes relataram que suas empresas não implementaram estratégias para mitigar a fadiga oriunda do uso excessivo dessas plataformas. Além disso, 60% se sentem pressionados a responder mensagens fora do horário regular de trabalho.

No que diz respeito à dispersão da atenção, um quinto dos entrevistados afirmou perder mais de duas horas por semana alternando entre diferentes abas e aplicativos. Isso representa mais de 100 horas anualmente. Também foi constatado que 17% dos trabalhadores mudam de ferramenta mais de 100 vezes ao dia. Tal situação impacta diretamente na produtividade, com 45% dos entrevistados considerando que as ferramentas prejudicam mais do que auxiliam.

Nesse contexto, mais da metade dos participantes acredita que o excesso de ferramentas compromete tanto a execução das tarefas quanto a colaboração entre equipes. Quando os profissionais se vêem obrigados a administrar um ambiente digital caótico em vez de se concentrarem em suas funções principais, uma série de efeitos adversos emerge, sendo esses aspectos inegáveis.

Para lidar com esse desafio, a inteligência artificial (IA) surge como uma possível solução. Entretanto, o artigo da Forbes também indica que essa tecnologia pode intensificar o problema da fadiga digital. O motivo reside na falta de treinamento adequado fornecido pelas empresas aos seus colaboradores sobre como utilizar a IA corretamente, resultando em retrabalho e aumento no tempo dedicado a correções.

Além disso, a crescente pressão para implementar soluções baseadas em IA faz com que os profissionais sintam-se sobrecarregados pela necessidade constante de adaptação e frequentemente resistam às mudanças propostas.

A análise revela ainda que essa situação gera desconfiança no ambiente corporativo: enquanto líderes acreditam que os funcionários não estão se dedicando o suficiente, os trabalhadores consideram inadequada a orientação recebida sobre o uso da IA. Assim sendo, em vez de simplificarem processos, as tecnologias frequentemente aumentam a complexidade das atividades e reforçam sensações de esgotamento mental.

Para concluir, a produtividade está intrinsicamente ligada à capacidade de foco e esta demanda simplicidade. Contudo, o acúmulo excessivo de ferramentas digitais compromete ambos os aspectos; mais tecnologia não garante necessariamente um desempenho superior.

Portanto, revisar as escolhas tecnológicas das organizações não deve ser visto como algo secundário. Pelo contrário, integrar sistemas e eliminar redundâncias são ações estratégicas prioritárias devido aos seus impactos diretos na saúde mental dos colaboradores. Assim sendo, melhorar a produção pode requerer menos ferramentas e não mais tecnologia.


[1] https://www.forbes.com/sites/bryanrobinson/2025/10/04/digital-tool-fatigue-eroding-mental-health-and-career-productivity/. Acesso em: 24.05.2026.

Este texto reflete a visão do autor e não necessariamente representa o posicionamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo ou da entidade à qual ele esteja vinculado profissionalmente.

By Aconteceu SP

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